A crise, que já poderia ser vista pelo espelho retrovisor, conforme o Ministro da Fazenda Henrique Meirelles noticiou dias atrás, não parece se distanciar de nossa realidade tão cedo, ainda mais com as declarações apresentadas nesta semana, que deixam-nos com uma perspectiva um tanto quanto incerta num futuro próximo.
A previsão de déficit nas contas públicas, calculada pelo Ministério da Fazenda, praticamente dobrou com os valores divulgados, já que era previsto um rombo em nossa economia de R$ 79 bilhões para 2018, e conforme o gráfico, agora esperam-se 129 bilhões para o próximo ano. Na imagem não temos o panorama previdenciário, que também foi recalculado e atinge uma soma negativa de 200 bilhões no ano que vem.
Analisando os dados, podemos perceber que a tendência negativa diminui em 2019 e somente em 2020 teríamos, teoricamente, um resultado primário positivo, após um longo período de recessão econômica.
Bom , com estas informações, devemos refletir sobre alguns pontos. Primeiro que não se pode confiar numa projeção que depende de diversas decisões políticas que influenciam-nas, como a previdência e a dívida pública brasileira.
A reforma da previdência se mostrou um remédio amargo para uma sociedade, já maltratada por séculos pelos seus governantes, e não parece vingar como desejam seus artífices. Assim, não produzirá a economia desejada pelos estrategistas financeiros responsáveis.
A dívida interna, que é mais externa na verdade, não tem diminuído nos últimos anos. Observa-se, na realidade, um aumento progressivo, mesmo com o pagamento extorsivo de juros aos nossos credores.
É visível e esperado que, com a "autonomia" disfarçada do Banco Central, a exploração do país continue sendo exercida, sobretudo com as taxas de juros impostas pelo sistema financeiro mundial. E o tema de auditoria da dívida, que deveria estar na pauta de questões relevantes para o desenvolvimento nacional, nem sequer seja cogitado por aqueles que deveriam concentrar-se no grave momento pelo qual o Brasil passa.
Enquanto continuarmos honrando os pagamentos de juros aos especuladores financeiros do mercado mundial, não teremos saída deste labirinto, pois mesmo com uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo, não se tem dinheiro para os projetos soberanos de saúde, infra-estrutura e segurança pública, cada vez mais desonerados pelo Estado.
As análises estão postas, mas questiona-las é um direito democrático, sobretudo num momento de incertezas pelo qual o Brasil enfrenta atualmente.
Acreditar nelas é cerrar os olhos na condução de um trem desgovernado, não podemos confiar em tudo que nos é dirigido intencionalmente.

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