sábado, 22 de abril de 2017

Doping Eleitoral

As revelações trazidas nestes últimos meses com os desdobramentos da Operação Lava Jato demonstram que as táticas de permanência no poder são diversas e, sobretudo, desonestas para com aqueles que competem ingenuamente os pleitos eleitorais em nosso país.
No mundo desportivo, é de conhecimento da sociedade o hábito de se usarem substâncias proibidas para melhorar o desempenho dos atletas. E na esfera política temos a prática do "caixa 2", que turbina campanhas eleitorais com dinheiro não contabilizado e que desequilibra o jogo, fortalecendo o lado dos políticos corruptos e interesses do sistema vigente.
Engraçado é que no mundo contemporâneo, pelo menos quando se tratam de competições de nível internacional, qualquer ilicitude comprovada é punida com o devido rigor, onde atleta, treinador e até o país de origem envolvido sofrem duras sanções, chegando até mesmo ao banimento definitivo do envolvido no esporte que praticava.
Agora na política brasileira, o hábito de privilegiar candidaturas de pessoas comprometidas com os interesses escusos de corruptores é passivamente aceito, reflexo de  uma rotina praticada há décadas e que tendencia os resultados do jogo desde os primórdios de sua implementação.
Saltam aos olhos as cifras mencionadas pelos delatores, que ultrapassaram a cifra de bilhões de dólares e configuram hoje como o maior crime financeiro já registrado na história mundial.
O protecionismo de "nossos representantes" eleitos é algo natural de se esperar na pauta das discussões no Congresso Nacional, pois, cientes das consequências nefastas para suas carreiras públicas, fazem de tudo para obter anistia dos crimes praticados e permanecerem no protagonismo das ações de nossa República.
Já imaginaram que além da esfera da Odebrecht, catalisando resultados convincentes nas urnas, existem milhares de outras empresas/indústrias no país que agem da mesma maneira, catapultando representantes nas esferas do poder para beneficiarem-se posteriormente?
O remédio é amargo, causará transtornos e aversão de muitos "pacientes", mas precisa ser administrado para conter esta infecção que tomou conta do Brasil.
A criminalização do caixa 2, em trâmite na Câmara dos Deputados e contida nas 10 medidas contra a corrupção, é um dos aspectos que devem ser defendidos pela sociedade à todo custo, com o intuito de interromper este ciclo vicioso, responsável pela abundância de fatos negativos expostos na mídia  nestes anos recentes, e a inanição da pátria no quesito desenvolvimento.
Imaginem que agora, neste exato momento, diversos deputados e senadores, beneficiados pelas "injeções de ânimo" das empreiteiras, estão atuando livremente em seus mandatos parlamentares - algo que não seria aceito em qualquer país desenvolvido deste planeta - já que o correto seria o afastamento imediato dos envolvidos de seus cargos, para que as investigações possam ser realizadas sem a influência destes nas conduções das autoridades judiciais, com o intuito de atrapalhar os levantamentos de provas.
A equidade que desejamos aos postulantes de cargos representativos é um dos pré-requisitos que a democracia Brasileira deve oferecer ao cidadão que tenha aptidão a vida pública, dando uma chance assim aos indivíduos com valores cívicos e morais sólidos de atuarem como líderes na defesa da pátria e de nossa soberania e sendo intermediadores da retomada do crescimento nacional.

sábado, 15 de abril de 2017

Terra arrasada

A esfera política brasileira sofreu um duro revés nesta semana com a publicação das delações dos funcionários e diretores da Odebrecht.
Algo que se tinha como suspeição apenas , agora tornou-se fato incontestável, haja visto a riqueza de detalhes nas mais de 800 horas de gravações divulgadas pela Procuradoria Geral da República.
Um " modus operandi" que já vinha sendo praticado há décadas, finalmente agora veio à tona e sacudiu toda a oligarquia política que se perpetua  no poder por algumas gerações.
O pleito eleitoral de 2018, que se baseava nos nomes já conhecidos por todos, será permeado por novas lideranças, que estejam livres de toda esta sujeira exposta pela Operação Lava jato.
Nossa esperança agora reside naqueles que são responsáveis pela justiça neste país, pois devem ser ágeis em suas decisões, punindo exemplarmente aqueles que se locupletam com dinheiro público, seja por caixa dois, lavagem de dinheiro ou corrupção.
Assim como o ministério público criou uma força tarefa para dar celeridade às investigações, o STF e STJ , também deveriam concentrar esforços na elucidação deste problema.
A vagarosidade nos trâmites processuais prejudica a pátria, já que a morosidade deixa-nos reféns das condições atuais, sem nos permitir galgar um degrau acima  deste fosso de imoralidade.
A era do "Pós-verdade" representa a esperança que havíamos deixado de lado nestes últimos tempos.
Os brasileiros que acreditam ainda em um país destinado ao progresso, livre de corrupção e apto a contracenar no cenário mundial como os grandes, devem assumir a responsabilidade e arregaçar suas mangas, imediatamente!

sábado, 8 de abril de 2017

Previsões Auspiciosas

A crise, que já poderia ser vista pelo espelho retrovisor, conforme o Ministro da Fazenda Henrique Meirelles noticiou dias atrás, não parece se distanciar de nossa realidade  tão cedo, ainda mais com  as declarações apresentadas nesta semana,  que deixam-nos com uma perspectiva um tanto quanto incerta num futuro próximo.
A previsão de déficit nas contas públicas, calculada pelo Ministério da Fazenda,  praticamente dobrou com os valores divulgados, já que era previsto um rombo em nossa economia de R$ 79 bilhões para 2018, e conforme o gráfico, agora esperam-se 129 bilhões para o próximo ano. Na imagem  não temos o panorama previdenciário, que também foi recalculado e atinge uma soma negativa de 200 bilhões no ano que vem.
Analisando os dados, podemos perceber que a tendência negativa diminui em 2019 e somente em 2020 teríamos, teoricamente, um resultado primário positivo, após um longo período de recessão econômica.
Bom , com estas informações, devemos refletir sobre alguns pontos. Primeiro que não se pode confiar numa projeção que depende de diversas decisões políticas que influenciam-nas, como a previdência e a dívida pública brasileira.
A reforma da previdência se mostrou um remédio amargo para uma sociedade, já maltratada por séculos pelos seus governantes, e não parece vingar como desejam seus artífices. Assim, não produzirá a economia desejada pelos estrategistas financeiros responsáveis.
A dívida interna,  que é mais externa na verdade, não tem diminuído nos últimos anos. Observa-se, na realidade, um aumento progressivo, mesmo com o pagamento extorsivo de juros aos nossos credores. 
É visível e esperado que, com a "autonomia" disfarçada do Banco Central, a exploração do país continue sendo exercida, sobretudo com as taxas de juros impostas pelo sistema financeiro mundial. E o tema de auditoria da dívida, que deveria estar na pauta de questões relevantes para o desenvolvimento nacional, nem sequer seja cogitado por aqueles que deveriam concentrar-se no grave momento pelo qual o Brasil passa.
Enquanto continuarmos honrando os pagamentos de juros aos especuladores financeiros do mercado mundial, não teremos saída deste labirinto, pois mesmo com uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo, não se tem dinheiro para os projetos soberanos de saúde, infra-estrutura e segurança pública, cada vez mais desonerados pelo Estado.
As análises estão postas, mas questiona-las é um direito democrático, sobretudo num momento de incertezas pelo qual o Brasil enfrenta atualmente.
Acreditar nelas é cerrar os olhos na condução de um trem desgovernado, não podemos confiar em tudo que nos é dirigido intencionalmente.