No mundo desportivo, é de conhecimento da sociedade o hábito de se usarem substâncias proibidas para melhorar o desempenho dos atletas. E na esfera política temos a prática do "caixa 2", que turbina campanhas eleitorais com dinheiro não contabilizado e que desequilibra o jogo, fortalecendo o lado dos políticos corruptos e interesses do sistema vigente.
Engraçado é que no mundo contemporâneo, pelo menos quando se tratam de competições de nível internacional, qualquer ilicitude comprovada é punida com o devido rigor, onde atleta, treinador e até o país de origem envolvido sofrem duras sanções, chegando até mesmo ao banimento definitivo do envolvido no esporte que praticava.
Agora na política brasileira, o hábito de privilegiar candidaturas de pessoas comprometidas com os interesses escusos de corruptores é passivamente aceito, reflexo de uma rotina praticada há décadas e que tendencia os resultados do jogo desde os primórdios de sua implementação.
Saltam aos olhos as cifras mencionadas pelos delatores, que ultrapassaram a cifra de bilhões de dólares e configuram hoje como o maior crime financeiro já registrado na história mundial.
O protecionismo de "nossos representantes" eleitos é algo natural de se esperar na pauta das discussões no Congresso Nacional, pois, cientes das consequências nefastas para suas carreiras públicas, fazem de tudo para obter anistia dos crimes praticados e permanecerem no protagonismo das ações de nossa República.
Já imaginaram que além da esfera da Odebrecht, catalisando resultados convincentes nas urnas, existem milhares de outras empresas/indústrias no país que agem da mesma maneira, catapultando representantes nas esferas do poder para beneficiarem-se posteriormente?
O remédio é amargo, causará transtornos e aversão de muitos "pacientes", mas precisa ser administrado para conter esta infecção que tomou conta do Brasil.
A criminalização do caixa 2, em trâmite na Câmara dos Deputados e contida nas 10 medidas contra a corrupção, é um dos aspectos que devem ser defendidos pela sociedade à todo custo, com o intuito de interromper este ciclo vicioso, responsável pela abundância de fatos negativos expostos na mídia nestes anos recentes, e a inanição da pátria no quesito desenvolvimento.
Imaginem que agora, neste exato momento, diversos deputados e senadores, beneficiados pelas "injeções de ânimo" das empreiteiras, estão atuando livremente em seus mandatos parlamentares - algo que não seria aceito em qualquer país desenvolvido deste planeta - já que o correto seria o afastamento imediato dos envolvidos de seus cargos, para que as investigações possam ser realizadas sem a influência destes nas conduções das autoridades judiciais, com o intuito de atrapalhar os levantamentos de provas.
A equidade que desejamos aos postulantes de cargos representativos é um dos pré-requisitos que a democracia Brasileira deve oferecer ao cidadão que tenha aptidão a vida pública, dando uma chance assim aos indivíduos com valores cívicos e morais sólidos de atuarem como líderes na defesa da pátria e de nossa soberania e sendo intermediadores da retomada do crescimento nacional.

