A asfixia de nossa economia produzida pela interrupção das
atividades dos caminhoneiros nos últimos dias trouxe à tona inúmeras reflexões
e dilemas para a sociedade brasileira, no sentido de buscarmos as razões e
soluções para o drama conjuntural em que nos encontramos.
A insatisfação é generalizada, e não há cidadão que não
enxergue e sinta no bolso as consequências desastrosas da ausência de
planejamento, rumo e projetos de desenvolvimento para as questões estruturais
do país.
A coesão do movimento, causou verdadeira constipação nas
altas esferas governamentais, que se viram obrigadas a saírem de sua zona de
conforto para atender as exigências dignas da categoria, que transporta e
movimenta boa parte de nossa produção industrial para dentro e fora do Brasil.
A pauta de reivindicações apresentada, por sua vez,
concentrou-se somente na questão do óleo diesel e em aspectos pontuais que o
setor necessita. Tantas outras demandas emergentes em nossa economia, que
mereciam também a devida análise– como o preço da gasolina e do gás de cozinha
por exemplo, foram deixadas de lado.
Outro fato interessante foi a cobertura dos protestos feita
pela mídia, pois para quem analisa friamente o contexto, ocorreu de maneira
parcial em muitos meios de comunicação. A voz das estradas foi suprimida e
substituída por “representantes” que se diziam responsáveis pelas decisões. E o
que se viu, foi um acordo fraudado que não surtiu o efeito que deveria, e que
resultasse na dissolução imediata do protesto.
Argumentos que correm as redes virtuais e são pertinentes,
diga-se de passagem, referem-se à redução das mordomias acumuladas pelos
aristocratas e vassalos dos três poderes. Aposentadorias vitalícias, auxílio
moradia, dentre tantos outros penduricalhos, são excrecências que precisam ser
extintas, pois submetem o povo, pagador de impostos, a uma conta injusta que
não é dele.
E algo que também precisa ser tratado com prioridade para
amenizar este quadro deficitário em que o país se encontra e está longe das
discussões, é o ajuste fiscal, que submete a população a elevada carga
tributária e a estes insolúveis paradigmas que vivenciamos atualmente.


