Desde seu descobrimento há 5 séculos atrás, o Brasil tem sido um território de ampla exploração pelos países ditos "dominantes". De Colônia a país independente que somos hoje, ainda persistem diversas facetas de passividade, as quais são mascaradas afim de se manterem as aparências e o controle da população.
Pode parecer um discurso nacionalista, patriótico, e este assunto trazido à tona tem mesmo este intuito, de questionarmos as decisões que levaram nossa nação à completa submissão estrangeira.
Muita coisa aconteceu de lá pra cá nestes cinco séculos de história do maior país da América Latina, por isso deterei-me apenas a análise da conjuntura atual, e dos aspectos que tornam nossa independência disfarçada e cada vez mais distante de um horizonte desejável por todos.
Não poderíamos esperar muito mesmo de um território encontrado a milhares de milhas náuticas da Europa, e que representava a conquista do investimento monárquico nas explorações marítimas e o implícito livre arbítrio sobre as riquezas que detinham-nas.
Os movimentos de grupos ou lideranças em contraposição ao que foi-nos pré-determinado surgiram naturalmente com o passar dos anos, em resposta as imposições dos mandatários, tal qual ocorreu em nossa Independência, cujo "despertar" surgiu com a cobrança de taxas exorbitantes pelos monarcas portugueses.
O que chama a atenção, no entanto, é a perene apatia da população, nestas questões que concernem nossa permissividade. Este é um tema que merece um artigo à parte inclusive, onde abordarei futuramente o papel da mídia e do compromisso de Estado em conduzir a formação do indivíduo.
A ausência de um planejamento para o desenvolvimento da pátria tem nos causado diversas perdas ao longo das últimas gestões governamentais. De um país com certa estrutura estatal e onipresente, transformamo-nos em uma terra suscetível ao poder financeiro internacional, que paulatinamente vem tecendo sua teia invisível nos mais diversos setores que compõe a administração do país. Para os poucos que acompanham os noticiários diariamente, não é de hoje que se falam em concessões ( forma mascarada de privatização ) em áreas nobres, como as de portos e aeroportos, rodovias, empresas de energia, etc.... Neste caso específico, fica o questionamento , a carga tributária imposta ao cidadão e empresários brasileiros é hoje insuficiente para subsidiar atividades primárias da economia ? Obviamente que necessitaria de mais alguns parágrafos para tentar responder, mas acredito que a sanha arrecadatória governamental é fruto da especulação financeira que cultivou-se há séculos em solo pátrio, e que exerce uma ação aniquilante e predatória sobre nossa soberania. Além disso, o montante arrecadado com estes negócios "vantajosos", será revertido em quê? Se é pra alimentar a ciranda financeira e cobrir juros da dívida pública, me perdoem , mas é um péssimo negócio.
Outro ponto em que devemos nos ater é sobre a abertura indiscriminada de nossas fronteiras aos produtos de origem estrangeira, que trouxe, a longo prazo, um declínio da evolução industrial e tecnológica e desemprego em massa de nossa população.
Em algum momento vimos alguma ação conjunta de nossas lideranças políticas no intuito de reunir esforços para uma estratégia de crescimento sustentável? Não, o que se nota é justamente o contrário, que são iniciativas isoladas, com interesses particulares, geralmente permeadas de trocas vantajosas entre os envolvidos.
As danosas consequências dessas políticas emergem gradativamente e demonstram o equívoco destas decisões a longo prazo. Atende-se instantaneamente a sede de consumo imposta pela sociedade, mas não se pensa no resultado.
A ganância, falta de escrúpulos e a sede de poder fazem com que a maioria das pessoas com cargos decisórios se entreguem aos ganhos mirabolantes que o sistema oferece em troca de facilitações para permanecer conduzindo sua hegemonia. Analisar, questionar e encontrar novos caminhos é a tarefa daqueles que se sentem explorados e amargurados, assim como nós,
num país que pode ter um altivo destino.
